segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Oba, sou Chefe! E agora?

Quem não tem cargo de chefia não tem idéia do que é coordenar pessoas, muito menos liderar. Conheço profissionais que dizem abertamente que não desejam o cargo de coordenador, pois sabem que não desempenharão bem este papel, mas a grande maioria deseja ser “promovido”, sem saber o que os espera.

Em uma empresa que trabalhei, acompanhava o pessoal de produção, que eram adolescentes em início de carreira. Cada vez que o líder do grupo era promovido para outro setor, um dos membros tornava-se o novo líder, e entrava um novo colaborador no grupo (normalmente o office-boy). Os coordenados sempre reclamavam do chefe, dizendo que não ajudava nas tarefas e que só queria mandar. O legal era ver que, quando este que reclamava era promovido a líder, ele passava a ter a mesma atitude que tanto criticara. Neste ponto, o círculo fechava-se, pois os novos membros passavam a criticá-lo também.

Os profissionais em geral almejam um cargo de chefia, mas dificilmente preparam-se para isso, através do estudo de assuntos ligados a: pessoas e suas personalidades, conflitos, negociação, organização, delegação, etc.

Como o livro “O monge e o executivo” apresenta, a grande maioria das pessoas acredita estar entre os 10% melhores em algumas categorias, como inteligência, capacidade, etc. Se você ainda não leu este livro, procure no capítulo “O ambiente” para verificar como as pessoas se auto-valorizam. Até algum tempo atrás, eu acreditava que as pessoas tinham a real noção de quanto despreparadas ou pouco habilidosas eram, agora eu tenho certeza que não, que todas as pessoas acham-se muito melhores do que são.

Em outro estudo, fizeram um teste com um grupo de pessoas, onde cada um respondia a determinadas perguntas. Ao final, cada um descrevia como acreditava ter se saído no teste. O resultado da pesquisa foi surpreendente para alguns (não para mim): Quem mais errou havia dito que acreditava ter acertado a maioria, e o que tinham dúvida sobre seu desempenho foram os que mais acertaram. Quanto mais seguras, menos competentes (minha interpretação).

As pessoas não se preparam para os cargos de chefia e independente disso são promovidas. Com isso, a empresa perde um bom técnico (algumas vezes, nem tanto) e ganha um péssimo chefe (normalmente).

O novo chefe (sem preparo para isso):
- Quer controlar “tudo”. É ele quem define quem vai fazer o que. Quando ele não está ou está ocupado, os funcionários que já terminaram suas tarefas ficam aguardando (e aguardando...) até ele ter tempo de encontrar uma nova tarefa. Os coordenadores com pouca prática acreditam que este controle é o que faz deles bons coordenadores.
Conseqüência: A empresa perde, pois os funcionários ficam ociosos em grande parte do seu tempo e o chefe desperdiça seu tempo em tarefas que pouco valor agrega.
Solução: Ter uma lista de tarefas onde cada funcionário, ao terminar o que estava fazendo, pudesse selecionar uma nova tarefa. O chefe deve ter como controlar quem está fazendo o que, e quanto tempo previsto para o término, mas tudo de modo mais simples possível, e somente quando necessário.

- Não sabe delegar. Os novos chefes acreditam que eles são os responsáveis por todas as decisões importantes e todas as tarefas especiais. Eles costumam não perguntar e muito menos avaliar as idéias dos seus coordenados, independente de quanto conhecimento eles tenham.
Conseqüência: decisões equivocadas e falta de foco no que é importante.
Solução: Solicitar ajuda para tomada de decisões e delegar as tarefas que não sejam sua obrigação pessoal. Controlar e apoiar a execução destas tarefas, mas sem pressão. Algumas atividades devem ser realizadas pelos coordenados, pois é isso que aumenta a motivação da equipe.

- Reclama em público e elogia em particular. Quando um colaborador faz algo errado, grita para todos ouvirem que ele é incompetente. Quando quer elogiar alguém por algo que fez, chama em sua mesa. Normalmente não elogia ninguém, pelo motivo logo abaixo.
Conseqüência: Baixa motivação da equipe.
Solução: Chamadas de atenção devem ser dadas, pois não podemos ser tolerantes com alguns erros. Elogios em público, mas somente quando realmente merecidos, senão perdem o poder de motivar.

- Tem medo de que um colaborador apareça mais que ele. Este medo faz com que os funcionários que mais se destacam sejam boicotados e algumas vezes até demitidos.
Conseqüência: O nível da equipe cai consideravelmente, pois os funcionários são forçados a trabalhar abaixo da sua capacidade.
Solução: O chefe tem que saber que o sucesso da equipe é o que importa, e se a equipe tiver sucesso, seu nome vai aparecer mais ainda. Não sou eu quem diz isso, mas grandes nomes como Jack Welch.

- Ser tolerante demais. Este é um grave problema que a maioria dos chefes não sabe lidar. Eles aceitam que seus coordenados errem constantemente, atendam mal os clientes, criem conflitos entre si, etc. Os chefes não sabem como agir, por medo ou preguiça, e esperam que um dia, por milagre, tudo se resolva;
Conseqüência: Um nível descendente de qualidade e motivação.
Solução: Ser intolerante, mas com respeito. Não deixar para amanhã o que deve ser dito ou feito hoje, e ter uma postura de não aceitar que o problema se repita. Deve tentar entender a razão e apoiar o colaborador quando necessário.

- Não aceita que o fracasso do projeto seja culpa sua. Quando um projeto é um sucesso, o chefe quer todos os louros para si, mas quando fracassa, a culpa foi do fulano ou do beltrano.
Conseqüência: Ninguém terá muito empenho em buscar o sucesso.
Solução: O que qualquer livro de administração apresenta: O sucesso é do grupo, o fracasso, sinto muito, do chefe.

- Não sabe motivar, nem dá importância para isso. Muitas vezes, nem ele mesmo está motivado. Como dito anteriormente, ele aguarda que um dia as coisas melhorem, e aí os colaboradores ficaram mais motivados...
Conseqüência: Cada colaborador faz só o que tem que ser feito para se manter no emprego, ou até sai em busca de outras oportunidades mais motivadoras.
Solução: Pesquisar (em livros, cursos, com colegas, com os próprios colaboradores) o que poderá motivar seus subordinados, e a motivação gerará uma curva ascendente de desempenho, que gerará maior motivação.

Muito antes de ser promovido a chefe, comece a estudar. Comece a prestar atenção no que você não gosta no seu chefe, mas também no que você gosta. Avalie o que você terá de aprender para não cometer os mesmos erros que ele e o que terá de estudar para conseguir ser melhor ainda nos pontos positivos dele.

Quais suas experiências? Comente!

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