Muito se tem discutido sobre as razões as conseqüências das certificações de Maturidade em Desenvolvimento de Sistemas, ou aquelas letrinhas que você deve estar cansado de ver como: CMM, CMMI, MPS.Br, etc.
Se você perguntar para um empresário ou para o setor comercial de uma empresa a razão da Certificação, certamente eles dirão que é para qualificar ainda mais sua equipe e seus processos, mas o que a grande maioria aponta como sendo a verdadeira razão é apenas para participação de concorrências e/ou para vender mais.
As conseqüências são desencontradas, alguns apontam uma grande melhoria nas estimativas e na qualidade geral (normalmente os empresários ou o setor de vendas), outros dizem que não serviu para nada, pois logo após a certificação tudo voltou ao normal, outros ainda dizem que só piorou, sendo tão ruim quanto antes, só que com mais burocracia.
Eu participei de um processo de certificação e o que eu vi parece coincidir com as críticas feitas. A idéia de certificar era para tentar melhorar o processo interno, ter mais controle e visibilidade, ter maior acertividade, ter maior qualidade no sistema (menos erros nos sistemas produzidos).
Eu sei que teria uma maneira bem mais rápida, barata e eficiente para resolver isso, mas a diretoria não conseguia ver, mesmo eu tendo mostrado isso durante alguns meses (vou comentar em outro post o que eu fiz para aumentar a qualidade e controle da equipe utilizando conceitos Agile). A solução que estou falando era colocar no cargo de Líder de Projeto pessoas capazes de serem Líderes de Verdade, ou seja, pessoas comprometidas com o resultado e sem melindres para cobrar o que tem que ser feito. A empresa aceitava conversas intermináveis sobre vários assuntos não relacionados ao trabalho, onde se formavam grupinhos cada vez maiores, internet, MSN, ligações particulares a todo instante, até joguinhos rolavam. Os líderes, nada faziam. Se alguém demorava uma semana para fazer algo e a mesma tarefa era feita em duas horas por outra pessoa, tudo bem, cada um tem sua velocidade... diziam (em outro post comentarei mais sobre isso).
A diretoria acreditava que uma certificação faria tudo funcionar corretamente, mas nem ela sabia cobrar o que deveria ser cobrado. Ela acreditava que um sistema de lançamento de horas trabalhadas resolveria o problema, só que ninguém utilizava este sistema, e os que utilizavam, lançavam qualquer coisa.
Foi então contratada uma consultoria que de consultoria não fez nada. Apresentou o livro do MPS e disse para nós definirmos o nosso processo, do zero. Quanta perda de tempo, quanta discussão desnecessária, pois se o consultor tivesse entregado um modelo, poderíamos apenas adaptar. Eles diziam que assim era melhor, pois faríamos um modelo perfeito para a nossa empresa. Mentira, não fizemos modelo bom, nem na versão 1, nem na 2, nem na última. Eram muitos controles desnecessários, muitos documentos gerados de forma repetida, pois nós acreditávamos que eram importantes para certificação. O nosso processo nasceu gigante, e após muitas alterações e reduções, ainda estava enorme. Muita dúvida e é claro, muita consultoria paga, bem paga para ajudar-nos nas definições. No final, tive a certeza que o objetivo de não entregar um modelo inicial era só esse: Faturar.
Então o Processo foi definido e documentado e utilizado por poucos grupos. Os outros grupos diziam: “Ainda bem que nós não temos que usar!”. Era muito trabalho extra e muita enganação também, pois os grupos não conseguiam fazer tudo que era obrigatório, então mentiam, burlavam os documentos, as atas, etc. Quando havia uma alteração na definição, o processo pedia uma infinidade de passos, independente do tamanho da alteração, coisa de no mínimo duas semanas de vai e volta de documentos e reuniões. Era evidente que ninguém seguia o processo e fazia “por baixo dos panos”. Nem o diretor, que era o maior interessado, seguia o processo que ele havia ajudado a definir, pois deixava de assinar as atas, não encaminhava os documentos, etc.
Veio a certificação e fomos aprovados. Foi o último dia que alguém usou o processo definido. Vez que outra alguém se lembra dele, mas para esta solicitação não teremos tempo para utilizar o processo, é muito demorado... dizem.
Tudo voltou ao normal, a mesma bagunça, a mesma falta de qualidade, a mesma falta de controle. Quem ganhou com isso? O setor de vendas que agora pode dizer que é certificado, os consultores e os avaliadores.
Qual a sua experiência? Comente!
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
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1 comentários:
Cara, Deus me livre de uma experiência destas ! Pra mim (sim, sou radical!) qualquer sigla destas CMM, CMMI, MPS.Br ... é tudo sinal de enganação !
Quando vejo alguém falando estas siglas mais solução na mesma frase, com certeza tem vendedor na área !
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